O Morro da Pedra Branca, um dos mais emblemáticos cartões-postais da Grande Florianópolis e marco natural entre Palhoça e São José, segue oficialmente à venda — e agora por um valor muito maior. A área, que possui cerca de 120 milhões de anos e quase 500 metros de altitude, passou por uma reavaliação técnica que alterou a metragem registrada e, consequentemente, o preço solicitado pelo proprietário. O morro, que antes era anunciado por R$ 5,5 milhões, agora está no mercado por R$ 11 milhões.
Morro da Pedra Branca dobra de preço e continua à venda em SC
Reavaliação técnica muda tamanho e valor de um dos morros mais famosos da Grande Florianópolis
O terreno que abriga o Morro da Pedra Branca tem registro de matrícula na prefeitura de Palhoça, mas sua área é oficialmente pertencente ao município de São José. A região engloba exatamente a rocha monumental que dá nome ao morro, formando um dos marcos naturais mais conhecidos da região metropolitana.
Em agosto deste ano, a imobiliária Terras Prósperas Imóveis Rurais divulgou o primeiro anúncio da venda, informando que a propriedade possuía 24 hectares e estava completamente regularizada. O preço: R$ 5,5 milhões.
Doze semanas depois: dobro do valor e quase triplo da área
Três meses após o anúncio inicial, o corretor responsável, Vanderlei Meurer, atualizou o cadastro com duas informações decisivas:
• O valor passou de R$ 5,5 milhões para R$ 11 milhões
• A área aumentou de 24 hectares para 69 hectares
Segundo Meurer, o ajuste foi resultado de uma nova análise técnica. O estudo topográfico anterior, segundo ele, continha erros de delimitação. Agora, com georreferenciamento atualizado e documentação revisada, o corretor afirma que a metragem correta abrange “todo o morro da Pedra Branca”.
“A documentação foi atualizada e temos, realmente, todo o Morro da Pedra Branca à venda. No anúncio anterior, o topógrafo havia errado a colocação do mapa. Agora, está com georreferenciamento e 100% certo”, afirmou ao ND Mais.
Apesar da natureza icônica do local, até o momento somente uma pessoa manifestou interesse real na compra.
Mas afinal… o Morro da Pedra Branca pode mesmo ser vendido?
Sim. A área é privada e tem matrícula regularizada. Embora seja um patrimônio natural da região, o morro não pertence ao poder público e, portanto, pode ser comercializado como qualquer imóvel legalizado.
A Prefeitura de São José, em nota, reforçou esse ponto:
“A área é, em sua essência, de propriedade privada, com registro em matrícula.”
No entanto, há restrições importantes:
• O local é classificado como APP (Área de Preservação Permanente).
• A legislação ambiental — incluindo o Código Florestal — proíbe construções, parcelamento do solo ou intervenções que descaracterizem o ecossistema.
• A venda, entretanto, é permitida. O comprador, na prática, adquire um patrimônio natural protegido, sem autorização para edificações.
A Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos (Susp) reforça que, embora a área tenha possibilidade de troca de titularidade, o uso continua extremamente limitado, preservando a integridade ambiental do morro.
Um gigante de 120 milhões de anos à venda
Além da polêmica envolvendo seu valor e sua comercialização, o Morro da Pedra Branca carrega relevância histórica e ecológica. Com quase meio quilômetro de altitude e idade estimada em 120 milhões de anos, o local é referência visual tanto para Palhoça quanto para São José, além de atrair trilheiros, fotógrafos e admiradores da paisagem natural.
A venda reacende debates sobre preservação, limites entre municípios, legislação ambiental e o papel da iniciativa privada em áreas sensíveis.


