O aumento do imposto de importação anunciado pelo governo federal em fevereiro de 2026 atinge mais de mil produtos, incluindo celulares, freezers, equipamentos médicos e máquinas industriais. Além de proteger a indústria nacional, a medida deve gerar R$ 14 bilhões extras para a União.
Impactos do aumento do imposto de importação nos smartphones
Além de equipamentos industriais, a medida afeta também uma parcela dos smartphones vendidos no Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 95% dos celulares comercializados em 2025 foram produzidos no país, o que significa que a maior parte não será impactada pelo aumento do imposto de importação. No entanto, os 5% restantes, majoritariamente importados da China, podem ter preços mais altos.

Marcas afetadas: Xiaomi (impactada); Apple, Samsung, Motorola, Jovi, Realme e Oppo (sem impacto).
Principais produtos afetados pelo aumento do imposto de importação
O governo incluiu na lista de mais de mil produtos tanto bens de capital (BK) quanto bens de informática e telecomunicação (BIT). Entre os itens impactados estão:
- Congeladores (freezers)
- Robôs industriais
- Fornos industriais para tratamento térmico de metais
- Equipamentos de tomografia computadorizada e tubos de raios X
- Máquinas para envasar, rotular e fechar garrafas
- Máquinas para indústrias de açúcar, cervejaria e alimentos
- Distribuidores de fertilizantes
- Painéis com dispositivos de cristal líquido (LCD)
- Motores para aviação e turbinas para embarcações
- Bombas para distribuição de combustíveis
Como resultado, setores industriais que dependem de equipamentos importados podem enfrentar aumento de custos, o que pode impactar preços ao longo da cadeia produtiva.
Como a indústria lida com o aumento do imposto de importação
O Comitê Executivo da Camex decidiu aumentar as alíquotas para incentivar a indústria nacional e tornar produtos importados mais caros. Além disso, a medida funciona como instrumento extrafiscal, permitindo que o Executivo altere os impostos sem aprovação do Congresso.
Portanto, empresas que dependem de insumos importados precisarão buscar alternativas locais ou repassar custos aos consumidores. Em contrapartida, setores nacionais podem ganhar competitividade frente à concorrência estrangeira.
Origem das importações e efeito fiscal do aumento do imposto de importação
Em 2025, os principais países de origem desses produtos foram:
- Estados Unidos: US$ 10,18 bilhões (34,7%)
- China: US$ 6,18 bilhões (21,1%)
- Cingapura: US$ 2,58 bilhões (8,8%)
- França: US$ 2,52 bilhões (8,6%)
O Ministério da Fazenda estima que o aumento do imposto de importação gerará R$ 14 bilhões extras em 2026, ajudando o governo a cumprir a meta de superávit primário. Além disso, a participação crescente da China no fornecimento de bens de capital e tecnologia indica uma mudança estrutural na dinâmica do comércio exterior brasileiro.
O que esperar agora?
O aumento do imposto de importação reacende debates sobre a proteção da indústria nacional versus o impacto nos preços e na competitividade. Para os consumidores, o efeito será seletivo, principalmente em produtos importados. Para a indústria, dependerá da capacidade de substituir insumos estrangeiros por produção local.
Como resultado, a medida já está em vigor e deve influenciar o comércio exterior brasileiro ao longo de 2026, equilibrando arrecadação fiscal e estímulo à produção interna.


