Cidades de SC decretam emergência por causa do preço da cebola após a queda nos valores pagos aos produtores, situação que compromete a renda agrícola e ameaça a economia de municípios inteiros. Além disso, a crise ocorre porque o preço de venda não cobre os custos de produção, o que levou administrações municipais a adotar medidas emergenciais para apoiar o setor.
Ao menos cinco cidades catarinenses já formalizaram o decreto em fevereiro deste ano. Entre elas, estão Ituporanga, considerada a capital nacional da cebola, além de Atalanta, Chapadão do Lageado e Imbuia, no Alto Vale do Itajaí. Na mesma linha, Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis, também detalhou o decreto nos últimos dias.
Por que cidades de SC decretam emergência por causa do preço da cebola
Os decretos buscam facilitar o acesso dos agricultores a linhas de crédito e permitir a renegociação de dívidas. Dessa forma, as medidas pretendem evitar prejuízos ainda maiores para as famílias que dependem da cultura da cebola. Além disso, as ações permitem a adoção de medidas administrativas especiais para reduzir os impactos econômicos da crise.
O problema central é o descompasso entre custo e preço de venda. Por exemplo, um estudo anexado ao decreto de Ituporanga aponta que o custo médio para produzir um quilo de cebola é de R$ 1,33, valor que não vem sendo pago ao produtor. Como resultado, muitos agricultores operam no prejuízo, o que ameaça a continuidade da produção.
A importância da cebola para Santa Catarina
A crise preocupa porque o estado tem papel fundamental no abastecimento nacional. Atualmente, os dados mostram a relevância econômica da cultura:
- Santa Catarina produz cerca de 40% da cebola consumida no Brasil;
- Enquanto isso, aproximadamente 30% dessa produção vem do Alto Vale do Itajaí;
- Já cerca de 10% do total nacional é produzido apenas em Ituporanga.
Ituporanga, a capital nacional da cebola, lidera decretos
Reconhecida como principal polo produtor do país, Ituporanga foi uma das primeiras cidades a decretar emergência, em 9 de fevereiro. Com isso, o município passou a ter instrumentos para enfrentar o momento de crise.
O decreto autoriza a prefeitura a adotar uma série de medidas para reduzir os efeitos da situação. Entre as ações previstas, estão:
- adoção de medidas administrativas excepcionais;
- criação e ampliação de políticas públicas de apoio;
- revisão de prazos administrativos;
- ampliação de programas para produtores;
- suporte para acesso a crédito;
- renegociação de dívidas.
Além disso, o reconhecimento da situação permite que o município solicite apoio técnico e financeiro de outras esferas de governo. Inicialmente, a emergência tem validade de 180 dias, mas poderá ser prorrogada conforme a evolução do cenário.


