Pacientes enfrentam horas na fila da emergência do Hospital Celso Ramos
Pacientes enfrentam horas na fila da emergência do Hospital Celso Ramos na tarde desta quinta-feira (19), em Florianópolis. Segundo relatos obtidos pela reportagem, a demora começou ainda na etapa de triagem e ultrapassou o tempo previsto no protocolo estadual de atendimento.
De acordo com usuários da unidade, o acesso à sala de classificação de risco superou uma hora em alguns casos. Nessa fase, profissionais avaliam a gravidade do quadro clínico e definem a prioridade por meio do sistema de pulseiras coloridas — verde, amarela e vermelha.
Espera na emergência do Hospital Celso Ramos supera prazo do protocolo
Conforme o Protocolo Catarinense de Acolhimento com Classificação de Risco (PCACR), o tempo de atendimento varia conforme a gravidade. Pacientes com pulseira amarela, por exemplo, devem receber atendimento médico em até 60 minutos.
No entanto, relatos apontam que a espera na emergência do Hospital Celso Ramos foi muito maior. O painel de atendimento monitorado pela reportagem indicou que, durante a tarde, o tempo para casos classificados como prioridade média ultrapassou 3h30.
Assim, pacientes afirmam que o prazo estabelecido pelo protocolo não foi respeitado na prática.
Relatos de pacientes que aguardam atendimento

Uma paciente que sofreu acidente de moto e apresenta suspeita de fratura no joelho relatou desconforto crescente.
“Levei mais de uma hora para ser recebida na classificação. Agora, já faz quase duas horas que aguardo a ortopedia. Deveria ser no máximo uma hora”, afirmou.
Além disso, outra paciente, com o pé inchado e dificuldade para caminhar, criticou a demora. “É difícil passar a tarde inteira esperando quando o atendimento deveria ser ágil”, disse.
Dessa forma, o sentimento predominante entre os usuários é de frustração e insegurança quanto ao tempo real de atendimento.
O que diz a Secretaria de Estado da Saúde
A reportagem procurou a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC), responsável pela administração do Hospital Governador Celso Ramos.
Em nota, a direção informou que o tempo médio para acesso à Classificação de Risco é de aproximadamente 10 minutos. Já o atendimento médico varia conforme a especialidade, como Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Ortopedia e Oftalmologia.
Segundo a secretaria, o pronto-atendimento conta com quatro médicos clínicos, dois ortopedistas e dois cirurgiões, e atualmente não há déficit de profissionais na escala.
Além disso, a SES destacou que cerca de 45% dos atendimentos são de alta gravidade, classificados como vermelho ou laranja. Já pacientes com pulseiras amarela, verde ou azul, em sua maioria, poderiam buscar atendimento na Atenção Primária, como UBSs e UPAs.
Por fim, a secretaria afirmou que trabalha para aprimorar o fluxo de atendimento e fortalecer a rede de retaguarda, com o objetivo de reduzir o impacto da alta demanda.
O hospital funciona em sistema de porta aberta 24 horas e é referência em neurotrauma na Grande Florianópolis, além de ser o único hospital público da região credenciado para tratamento de AVC.


