Cezar Maurício Ferreira, servidor do TRT-SC, foi detido após mal súbito no trânsito e morreu horas depois sob custódia
Um laudo toxicológico exclusivo obtido pelo ND Mais revela que o dentista Cezar Maurício Ferreira, encontrado morto em uma cela da delegacia de São José (SC), não havia consumido bebidas alcoólicas ou drogas antes de ser preso. O resultado do exame contradiz a versão inicial de que ele teria sido detido por embriaguez ao volante.

Prisão após acidente foi motivada por suspeita equivocada
Cezar foi detido na noite de sexta-feira (18), após se envolver em um acidente de trânsito. Segundo a defesa da família, o acidente teria sido provocado por um mal súbito — possivelmente ligado a problemas de saúde. A confusão com um quadro de embriaguez resultou em sua prisão em flagrante. Ele foi encontrado morto na manhã seguinte, dentro da cela.
Odor de medicamento e ausência de álcool no organismo
O relatório do local de crime indica que havia “odor característico de medicamento em excesso” durante a remoção do corpo. Já o exame toxicológico indicou apenas a presença de medicamentos controlados para depressão, diabetes e problemas cardíacos. Nenhum traço de álcool ou drogas foi detectado.
Família cobra responsabilização e pede afastamento de policiais
O advogado da família, Wilson Knöner, afirmou que o laudo “não deixa dúvidas sobre a honra do doutor Cezar e a mentira de que ele havia bebido”. Ele irá protocolar, nesta sexta-feira (25), um pedido de afastamento dos policiais militares envolvidos na prisão. A defesa também reforça que a detenção pode ter sido baseada em erro de avaliação, com consequências fatais.
Servidor respeitado e ativo na igreja
Cezar Maurício Ferreira era dentista do TRT-SC desde 1992. Colegas o descrevem como alegre, gentil e próximo da aposentadoria. Religioso, era ativo na Igreja Adventista, onde participava de missões musicais. Conhecidos destacam que ele era totalmente contrário ao consumo de bebidas alcoólicas.
Ministério Público investiga possível omissão
A 12ª Promotoria de Justiça de São José abriu uma investigação para apurar possível omissão ou negligência por parte dos agentes públicos envolvidos na prisão. O Ministério Público aguarda diligências e resultados laboratoriais adicionais para tomar novas medidas.
Posicionamentos oficiais
A Polícia Militar afirmou que só se manifestará após a liberação oficial do laudo pela Polícia Científica. Já a Polícia Civil não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.


