Iniciativa do Instituto Dahmer Rocha quer transformar o atendimento oncológico no Brasil e reduzir desigualdades no acesso à saúde
Enquanto o governo federal lança o Super Centro de Diagnóstico do Câncer, Joinville se antecipa com um projeto inovador que pode mudar o rumo do tratamento oncológico no Brasil. O Instituto Dahmer Rocha (IDR) quer reduzir drasticamente o tempo entre a suspeita e o diagnóstico de câncer no SUS: de 30 para até sete dias.
A proposta usa uma combinação de exames ambulatoriais, protocolos clínicos otimizados e inteligência artificial. A ideia é acelerar diagnósticos, aliviar o sofrimento do paciente e tornar o sistema de saúde mais eficiente e humanizado.
Diagnóstico rápido, seguro e humanizado
A legislação brasileira já garante o diagnóstico do câncer em até 30 dias. O IDR, no entanto, acredita que é possível fazer muito mais — com mais agilidade e sem comprometer a segurança.
“Temos convicção de que é possível entregar muito mais, em menos tempo, com rastreabilidade, empatia e atendimento humanizado para qualquer paciente, seja da rede pública ou privada”
afirma o médico Rafael Dahmer Rocha, idealizador do projeto.
Inteligência artificial como aliada
O grande diferencial da iniciativa é uma plataforma de busca ativa que usa inteligência artificial para rastrear precocemente pacientes do SUS com sintomas ou exames que possam indicar câncer.
Quando esses casos são detectados, o sistema aciona imediatamente uma linha de cuidado rápida, que inclui consultas, exames de imagem, biópsia e laudos — tudo em até sete dias. O objetivo é evitar o desgaste físico e emocional que a espera costuma provocar.
Menos internações, mais eficiência
A jornada do paciente é toda ambulatorial, o que diminui os custos para o SUS e reduz o risco de infecções hospitalares. Isso é especialmente importante em tempos de pandemia ou de superlotação nos hospitais.
Além disso, a iniciativa visa se tornar uma referência nacional no enfrentamento ao câncer, ajudando a reduzir desigualdades regionais no acesso ao diagnóstico precoce.
Parcerias e expansão nacional
Atualmente, o projeto já está ativo em parceria com o Cisnordeste/SC — consórcio que reúne secretarias municipais de Saúde do Norte e Nordeste catarinense. Mais de 1 milhão de usuários do SUS têm acesso gratuito aos exames e, em caso de confirmação, ao encaminhamento imediato para o tratamento.
O financiamento, por enquanto, é feito com recursos próprios e doações privadas. Em novembro de 2024, o IDR apresentou o projeto à FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e ainda aguarda a liberação de recursos públicos.
A expectativa dos idealizadores é que, com o apoio dos governos estadual e federal, o modelo seja reconhecido e replicado em todo o país.


