Um grave acidente envolvendo três veículos deixou uma pessoa morta e 14 feridas no km 667 da BR-376, em Guaratuba, no Paraná, durante a madrugada desta quarta-feira (12). O engavetamento ocorreu por volta das 4h45, em um trecho onde havia obra e uma fila de carros parados. Testemunhas afirmam que o motorista que morreu tentou evitar um acidente ainda maior.
Testemunha viu tudo e relata a tentativa de salvar vidas
O caminhoneiro James José estava parado no local com seu veículo quando ouviu o impacto e viu o acidente se formar. Ele conta que havia espaço entre o caminhão dele e a van parada à frente, mas o motorista do caminhão-baú que descia a serra percebeu tarde demais a fila de veículos.
Para evitar bater diretamente no caminhão parado, o condutor desviou para as faixas central e direita — que estavam interditadas para obras — e, ao tentar voltar para a única faixa liberada, atingiu a van. Segundo James, o motorista fez de tudo para reduzir os danos:
“Para não bater no meu caminhão, porque entre o meu caminhão e a van tinha espaço, ele bateu na mureta, mas não conseguiu quebrar a mureta, foi de arrasto, bateu na vanzinha, aí bateu atrás desse caminhão aqui. Aí já começou a pegar fogo.”
O caminhoneiro se refere ao jovem Alisther Hubl do Rosário, de 22 anos, que dirigia o caminhão-baú.
PRF confirma manobra de desvio e colisões em sequência
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Alisther trafegava pela serra quando se deparou com o trânsito parado por causa das obras. Primeiro, ele desviou para as faixas que estavam fechadas, percorreu parte do trecho e, ao tentar retornar à faixa liberada, colidiu diretamente com a van.
O impacto projetou a van contra a mureta de proteção. Na sequência, o caminhão-baú atingiu a carreta estacionada à frente. A violência da colisão fez com que a cabine do caminhão se desprendesse do chassi e ficasse presa na traseira da carreta, enquanto o baú foi arremessado para a faixa da direita da rodovia.
A van e o caminhão pegaram fogo logo depois da batida.
Motorista tentou evitar a tragédia: “Ele veio livrando gente lá de cima”
A testemunha James reforça que o jovem caminhoneiro fez de tudo para evitar um acidente ainda pior. Segundo ele, se o motorista seguisse em linha reta, poderia ter atingido outros veículos que estavam à frente.
“Ele tentou segurar o controle do caminhão o máximo possível. O que deu, ele conseguiu segurar. Quando chegou na curva, ele viu que não ia dar conta. Ele tentou se jogar no mato ali. A mureta não quebrava, foi onde ele bateu e saiu levando todo mundo de arrasto.”
James afirma ainda que Alisther só não utilizou a área de escape da serra porque ela estava bloqueada pelas obras.
Van levava crianças ao Beto Carrero World: “Foi um milagre”
A van atingida seguia para o Beto Carrero World, em Penha (SC). Dentro estavam 15 passageiros:
✅ crianças de 5 a 10 anos
✅ dois adolescentes
✅ e adultos.
O motorista da van, Luciano Voivoda, conta que estava parado na fila quando sentiu o impacto e achou que o veículo capotaria. Segundo ele, apenas por poucos centímetros a van não caiu para a outra pista, do lado do viaduto, o que poderia ter causado mais mortes.
Gente gritando, caco de vidro, as crianças desesperadas. Os rapazes falaram que o caminhão veio em alta velocidade, descendo a serra, não sei se sem freio ou imprudência. Para não colidir no caminhão da obra, ele jogou em cima da van. Por pouco não tomba para o outro lado. Foi um milagre pelo que aconteceu.”
Mesmo ferido, Luciano pegou uma faca que tinha no veículo, cortou os cintos de segurança e conseguiu retirar todos os 15 passageiros antes que as chamas tomassem conta da van. A PRF confirmou que 14 pessoas ficaram feridas e duas saíram ilesas.
Motorista do caminhão morreu na hora
Com a força da batida, a cabine se destruiu completamente. O corpo de Alisther Hubl do Rosário, de apenas 22 anos, ficou preso na estrutura do caminhão. Ele morreu ainda no local.
A PRF informou que, devido ao incêndio, parte do caminhão e da van ficaram totalmente destruídos. Ainda não há informações sobre o velório e o sepultamento do jovem caminhoneiro.
Rodovia ficou bloqueada e filas chegaram a 27 km
Por causa do incêndio e da necessidade de retirada dos veículos destruídos, a BR-376 ficou totalmente interditada no sentido Sul a partir do km 662. A pista só voltou a ser liberada às 11h20, quase sete horas após o acidente.
Nesse período, as filas chegaram a 27 quilômetros de extensão. As informações sobre trânsito continuam sendo atualizadas nas redes sociais da concessionária responsável pelo trecho.











Fotos: reprodução NSCtotal


