O debate sobre a política adotada por Florianópolis para lidar com pessoas em situação de rua ganhou novo capítulo neste sábado (8). Pelas redes sociais, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), declarou apoio integral às medidas anunciadas pelo prefeito Topázio Neto (PSD) e ainda ironizou críticos, afirmando que poderia até consultar a procuradoria para saber se é possível exigir “visto” para entrada no estado.
🔵 Governador apoia ações e oferece reforço de segurança
Em vídeo divulgado pela manhã, Jorginho Mello disse concordar “100%” com o prefeito da Capital, afirmando que Florianópolis tenta conter o crescimento da chegada de pessoas em situação de rua sem emprego ou moradia.
“Onde está o erro nisso? Topázio, concordo 100%”, afirmou o governador.
Mello também colocou a segurança pública estadual à disposição da prefeitura para auxiliar no controle da situação e criticou quem se opõe à medida. Em tom irônico, disse que verificaria com a procuradoria a possibilidade de solicitar visto para entrada no estado.
⚠ Medidas geram investigações e reações
As declarações vieram após grande repercussão sobre a fala de Topázio Neto, que afirmou que pessoas enviadas à capital sem estrutura seriam “devolvidas” à cidade de origem.
A Defensoria Pública de Santa Catarina instaurou procedimento para apurar a conduta da gestão municipal. O órgão citou preocupação com possíveis práticas discriminatórias:
As abordagens “passam a ideia de que determinadas pessoas não são bem-vindas ou que estão sendo devolvidas com base em critérios inadequados”.
O caso será acompanhado pelo Núcleo de Cidadania, Direitos Humanos e Ações Coletivas da Defensoria. A instituição ainda lembrou que a Constituição Federal garante a livre circulação em território nacional, e que nenhum cidadão pode ser impedido de circular por não ter emprego ou moradia.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) também informou que a questão será encaminhada às Promotorias de Justiça com atuação na área da cidadania.
🔁 Justificativa do prefeito: “Não seremos depósito de pessoas”
Topázio Neto voltou a defender a medida, alegando que Florianópolis tem recebido pessoas enviadas por outros municípios sem estrutura mínima.
“Se a pessoa chega aqui sem saber onde vai dormir, sem qualquer plano de vida, é óbvio que foi despachada de algum lugar”, declarou.
Segundo o prefeito:
✅ Não há controle migratório
✅ A “devolução” ocorre após contato com familiares ou prefeitura da cidade de origem
✅ O objetivo é garantir encaminhamento adequado
🏛 Prefeitura diz oferecer suporte na rodoviária
Em nota enviada ao ND Mais, a Prefeitura de Florianópolis afirmou que mantém um serviço de Assistência Social na rodoviária, que orienta pessoas recém-chegadas.
O município afirma que só encaminha moradores de volta após confirmar origem, contatar familiares e garantir encaminhamento adequado.
✅ Debate segue acalorado
A política dividiu opiniões nas redes, recebeu apoio do governador, mas também passou a ser investigada por órgãos de controle e direitos humanos. O tema deve seguir repercutindo nos próximos dias.


