O MDB se afasta governo Jorginho Mello após se sentir preterido na definição da chapa para as eleições de 2026. A decisão foi confirmada pelo deputado federal e presidente estadual do partido, Carlos Chiodini, durante entrevista ao podcast Café nas Eleições.
Segundo Chiodini, não há mais ambiente político para retomar conversas com o governador Jorginho Mello (PL). Isso porque a decisão de montar uma “chapa pura” excluiu o MDB do projeto eleitoral.
De acordo com o deputado, o partido trabalhava há cerca de um ano na aproximação com o PL. Nesse período, o MDB ampliou sua participação no governo estadual. Além disso, aceitou integrar a gestão após convite feito no início de 2025.
Como resultado, o deputado Emerson Stein assumiu cargo no Executivo estadual. Ao mesmo tempo, o partido promoveu um rodízio com suplentes na Câmara Federal.
No entanto, o cenário mudou em janeiro. Naquele momento, o governador anunciou o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como vice na chapa.
— O MDB, evidentemente, se sentiu preterido. Foi uma surpresa depois de um ano de caminhada — afirmou Chiodini.
MDB se afasta governo após decisão de chapa pura
Diante da exclusão, Chiodini afirmou que o MDB se afasta governo por entender que houve um rompimento unilateral do acordo político. Segundo ele, o partido não pretende ocupar papel secundário em 2026.
— O MDB quer participar de um projeto como sócio, não como inquilino. Quer opinar e se posicionar — disse.
Nesse sentido, o presidente estadual do partido afirmou ser natural que o MDB busque uma candidatura majoritária nas próximas eleições.
Além disso, ele negou qualquer acusação de traição política. Segundo Chiodini, a decisão partiu exclusivamente do governo estadual.
Carlos Bolsonaro muda o cenário político
Na avaliação do deputado, a pré-candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado alterou o tabuleiro político em Santa Catarina. Para ele, a movimentação gerou desconforto e impactou alianças.
— Trata-se de uma peça muito pesada, que não se pode dizer não — avaliou.
Segundo Chiodini, a presença de Carlos Bolsonaro criou constrangimento para o governador. Como consequência, houve exclusões políticas relevantes.
Entre elas, o afastamento do senador Esperidião Amin (PP) e a saída do MDB do projeto governista.
— O tabuleiro funciona como um xadrez. Essa peça realinhou tudo — resumiu.
Diálogo com o PSD e cautela nas alianças
Apesar do afastamento, Chiodini confirmou conversas com lideranças do PSD. Entre elas estão o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, e o ex-governador Raimundo Colombo.
Segundo ele, Colombo é uma figura estratégica. Além disso, é visto como um coringa para diferentes cenários eleitorais.
Ainda assim, Chiodini ressaltou que o MDB não pretende se antecipar em novas adesões políticas.
— Desta vez, o partido vai aguardar a consolidação dos projetos — afirmou.
Por fim, o deputado descartou uma composição com Gelson Merisio, que deve integrar uma chapa com o PT.
— Não há ressonância na nossa base — concluiu.


