Parte de um dos principais cartões-postais da Grande Florianópolis está à venda
O que parecia improvável virou realidade: 24 hectares do Morro da Pedra Branca, entre os municípios de São José e Palhoça, na Grande Florianópolis, foram colocados à venda por R$ 5,5 milhões. O terreno inclui o cume do morro, ponto conhecido por trilheiros e amantes da natureza.
O anúncio foi feito no último dia 26 de julho por uma imobiliária da região e já soma mais de 12 mil visualizações, além de centenas de comentários nas redes sociais. Muitos criticam a venda, chamando a proposta de “palhaçada” e “vergonha”. A repercussão negativa reacendeu o debate sobre a preservação ambiental de áreas icônicas e o papel do poder público em proteger esses patrimônios naturais.
Valor, escritura e situação legal do imóvel
Segundo o corretor responsável pela venda, Vanderlei Meurer, o terreno está totalmente regularizado, possui matrícula individualizada no cartório de Palhoça e está registrado como imóvel rural. Meurer afirma que não há averbação de Área de Preservação Permanente (APP) no registro e, por isso, a venda é legal.
O valor de R$ 5,5 milhões não foi definido por avaliação de mercado, mas sim escolhido pelo próprio proprietário, um homem de mais de 70 anos.
“Ele herdou a área, sempre teve um sonho de fazer ali um ecoparque, um espaço de contemplação, mas não teve condições de levar isso adiante. Agora, quer vender para alguém que respeite o local”
afirmou Meurer.
Apesar da magnitude da área e da vista privilegiada, não há proposta oficial até o momento, embora o corretor relate grande interesse e ligações constantes.
Patrimônio geográfico com 120 milhões de anos
O Morro da Pedra Branca é uma formação rochosa com aproximadamente 120 milhões de anos e quase 500 metros de altitude. A rocha, que mistura tons de branco e cinza, é visível de diversos pontos da Grande Florianópolis e serve como divisor geográfico entre Palhoça e São José.
Além do valor geológico e paisagístico, o morro tem forte apelo turístico e cultural, sendo um dos destinos mais procurados por quem pratica trilhas, escaladas e ecoturismo. Por isso, a notícia da possível venda da área causou surpresa e indignação entre ambientalistas, moradores e visitantes.
O que dizem as prefeituras e especialistas?
A Prefeitura de Palhoça declarou que o pico do morro não está no território do município e que não há registro de imóveis ali. Já a Prefeitura de São José confirmou que a área é de propriedade privada com matrícula legal.
Contudo, a administração josefense pontuou que a área possui características de preservação ambiental, o que a torna sujeita a normas específicas, como o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica.
O secretário adjunto da SUSP (Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos), Michael Rosanelli, afirmou que o terreno é, sim, uma Área de Preservação Permanente (APP). Isso significa que construções e parcelamentos do solo são proibidos, mas atividades sustentáveis como trilhas e contemplação da natureza são permitidas, desde que aprovadas em licenciamento ambiental.
“Mesmo sendo uma propriedade privada, a legislação ambiental impõe restrições. Não é possível edificar, mas trilhas e projetos ecoturísticos podem ser feitos com licenciamento e compensações”
reforçou Rosanelli.
Debate sobre uso público e preservação
A venda reacende a discussão sobre a necessidade de proteger áreas naturais emblemáticas, mesmo que estejam em mãos privadas. Especialistas apontam que o poder público poderia intervircom propostas de transformar a área em parque natural ou unidade de conservação, impedindo a comercialização futura ou qualquer tipo de degradação.
Até o momento, nenhum ato oficial foi publicado por parte das prefeituras, o que deixa a área vulnerável a uma eventual transação, desde que respeite os limites legais de uso.
Veja fotos do local:








