A Operação Mensageiro avançou mais uma etapa nesta quinta-feira (29) e passou a envolver novas denúncias relacionadas a crimes cometidos em Balneário Barra do Sul, no Litoral Norte, e Agrolândia, no Alto Vale do Itajaí. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) recebeu as ações penais apresentadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), ampliando o alcance da maior investigação contra corrupção já realizada no estado.
Além disso, durante a mesma sessão, os desembargadores analisaram recursos apresentados pelas defesas de ex-prefeitos já condenados no âmbito da operação.
Tribunal mantém condenações de ex-prefeitos
Ao analisar os pedidos das defesas, a 5ª Câmara Criminal do TJSC rejeitou todas as teses apresentadas. Dessa forma, o Tribunal manteve as penas impostas aos ex-prefeitos envolvidos no esquema.
O ex-prefeito de Corupá seguirá cumprindo 40 anos de reclusão, enquanto o ex-prefeito de Pescaria Brava permanecerá condenado a 80 anos de prisão, em regime inicial fechado. Segundo o Judiciário, as decisões refletem a gravidade dos crimes e o impacto direto causado à administração pública.
Esquema causou prejuízo de R$ 4,5 milhões aos cofres públicos
Entre julho e dezembro de 2025, o MPSC ajuizou 13 novas ações penais ligadas à Operação Mensageiro. Ao todo, 32 pessoas passaram a responder judicialmente, incluindo prefeitos, ex-prefeitos, servidores públicos e empresários.
De acordo com o Ministério Público, o esquema provocou um prejuízo estimado em R$ 4,5 milhões aos cofres públicos. Para tentar garantir o ressarcimento desse valor, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens de diversos investigados.
Fraude em licitações e pagamento de propinas sustentavam o esquema
Conforme as investigações, os envolvidos utilizavam propinas como moeda de troca para viabilizar contratos públicos. Além disso, o grupo fraudava processos licitatórios ligados a serviços essenciais, como coleta de lixo, abastecimento de água e iluminação pública.
Para manter o esquema, os investigados direcionavam licitações, ajustavam contratos e favoreciam empresas previamente escolhidas. Com isso, a organização criminosa ampliava seus ganhos enquanto causava prejuízo direto ao poder público.
Investigação já alcança diversos municípios de SC
Desde o segundo semestre de 2025, o TJSC recebeu denúncias envolvendo crimes praticados em Rio Negrinho, Imaruí, Garopaba, Jaguaruna, Correia Pinto, Rio do Sul, Agrolândia e Balneário Barra do Sul. Enquanto isso, outras denúncias seguem sob sigilo judicial, aguardando análise do Judiciário.
Em agosto de 2025, a operação chegou à sexta fase, com prisões preventivas de empresários e cumprimento de mandados de busca e apreensão contra agentes públicos e políticos.
Operação Mensageiro completa três anos de investigações
Considerada a maior ofensiva contra a corrupção em Santa Catarina, a Operação Mensageiro completou três anos em dezembro de 2025. A investigação começou em dezembro de 2022, a partir de apurações conduzidas pelo GAECO e pelo GEAC.
O esquema veio à tona em 2021, durante a Operação Et Pater Filium, após um acordo de colaboração premiada firmado por um prefeito investigado. Desde então, as apurações avançam e seguem revelando ramificações do grupo criminoso em Santa Catarina e em outros estados.


