O impasse envolvendo a intervenção no Hospital Regional de Biguaçu – Helmuth Nass, decretada pela Prefeitura na última segunda-feira (14), abriu uma disputa de versões que coloca em xeque quem, afinal, está dizendo a verdade: o Município ou a Beneficência Camiliana do Sul (BCS) – São Camilo, entidade que até então gerenciava a unidade.
Intervenção decretada para corrigir falhas
A Prefeitura justifica a intervenção, prevista para durar 90 dias (podendo ser prorrogada), alegando baixa produção de atendimentos e procedimentos, falhas em fluxos operacionais, gestão de insumos e equipe técnica aquém do necessário.
O prefeito Salmir da Silva defende que a medida é essencial para garantir o atendimento à população de Biguaçu e de outros 22 municípios da região. “A proposta do município é que a equipe interventora consiga fazer com que o hospital produza aquilo que é necessário para atender e melhorar o atendimento da saúde da nossa população”, declarou.

A interventora nomeada, Giordana Biancon Gandolfi, explicou que a primeira etapa é mapear todas as atividades do hospital e reorganizar os processos internos. Já a secretária de Saúde, Ana Flávia de Almeida, enfatizou que o objetivo é otimizar recursos, ampliar cirurgias eletivas e garantir que nenhuma agenda seja cancelada.
Beneficência rebate e aponta inadimplência
Por outro lado, a Beneficência Camiliana do Sul contesta duramente as justificativas do Município. Em nota oficial, a entidade acusa a Prefeitura de inviabilizar a gestão ao atrasar repasses financeiros obrigatórios, inclusive de recursos federais, somando uma dívida de R$ 3,4 milhões.
A BCS afirma que essa inadimplência foi o principal motivo para paralisações no corpo clínico e a redução de procedimentos. “O Município se apropria de recursos do Governo Federal e segura o repasse para a unidade, em total descumprimento contratual”, diz o comunicado.
Números de produção são questionados
A entidade rebate as declarações sobre baixa produção, destacando que em 2024 foram realizadas 2.792 cirurgias, 2.311 consultas e 9.152 exames — números que, segundo a BCS, estariam dentro das metas contratuais.
Também questiona o argumento de aumento de 100% nos repasses, afirmando que o incremento ocorreu pela ampliação dos serviços e adesão a programas federais conquistados pela própria instituição.
Vistoria técnica gera novas divergências
Outro ponto de tensão é a inspeção realizada pela Secretaria de Estado da Saúde, que teria identificado irregularidades no laboratório terceirizado. A BCS alega que não foi notificada previamente sobre essas supostas falhas e que não pôde acompanhar a vistoria integralmente.
Segundo a entidade, apenas nesta semana houve comunicação oficial sobre as irregularidades apontadas.
Município promete manter serviços e ampliar cirurgias
Enquanto isso, a Prefeitura garante que todos os serviços do hospital seguem funcionando normalmente. O centro cirúrgico manterá as cirurgias eletivas já agendadas e novas podem ser marcadas pelos centros de regulação.
Além disso, a Secretaria de Saúde informou que pode contratar auditoria externa para avaliar as contas da instituição e que pretende ampliar o volume de procedimentos nos próximos três meses.
BCS aciona Ministério Público
A Beneficência informou que, ainda em junho, já protocolou documentos no Ministério Público relatando todos os problemas financeiros e solicitando investigação sobre a conduta do Município.
No centro do impasse, a população
Diante de versões tão conflitantes, o cenário é de incerteza para a comunidade que depende dos serviços do Hospital Helmuth Nass. Enquanto Prefeitura e entidade trocam acusações, pacientes e profissionais de saúde aguardam uma solução definitiva para a crise.
E a pergunta permanece: quem tem razão?


