Era madrugada de 12 de maio de 2024, fim de semana do Dia das Mães, quando Camila foi arrastada pelos pés, enforcada e espancada pelo então namorado em um apartamento nos Ingleses, Florianópolis. O ataque marcou o início de nove meses de violência.“Ele teve oito chances de me matar”, relata a psicóloga, que precisou mudar de estado por medo.
O caso é apenas um entre os 401.015 crimes de violência doméstica contra mulheres registrados em Santa Catarina entre janeiro de 2020 e junho de 2025, segundo o Observatório da Violência contra a Mulher (OVM).
A lei e seu impacto
A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, foi um marco no combate à violência doméstica no Brasil, definindo diferentes formas de agressão e prevendo medidas protetivas. Apesar disso, os números catarinenses mostram que o problema continua em larga escala, com média de 200 casos por dia.
Violência invisível
A maior parte das ocorrências envolve violência psicológica, difícil de detectar, mas devastadora.
Entre 2020 e junho de 2025, foram registradas 190.153 ameaças — crime previsto na Lei Maria da Penha.
Santa Catarina aparece em 3º lugar no país em número absoluto de ameaças e lidera em taxa proporcional à população.
Quando e quem agride
A maioria dos casos ocorre aos finais de semana, muitas vezes associada ao consumo de álcool e drogas.
Na maioria das vezes, o agressor é ex-companheiro ou companheiro, aumentando o risco de reincidência e agravando o trauma.
O retrato da violência física
Do total de registros, 120.115 envolvem agressão física, sendo:
• 25.206 vias de fato
• 13.827 lesões corporais leves
• 222 lesões graves ou gravíssimas
• 80.905 lesões dolosas
A idade média das vítimas é 36 anos, e o Vale do Itajaí lidera as estatísticas regionais.
Feminicídio: a face extrema
Entre 2020 e junho de 2025, SC registrou 305 feminicídios.
Na maioria dos casos, o autor não tinha histórico policial anterior.
Os principais meios usados foram arma branca (125 casos), arma de fogo (64) e agressões físicas (21).
Histórias que se repetem
Casos como o de Kristel Aurora, advogada peruana, revelam padrões de controle, isolamento e escalada da violência — muitas vezes começando no campo psicológico e patrimonial antes de chegar à agressão física.
O que dizem os especialistas
Para especialistas, é urgente investir em prevenção, ampliar a rede de acolhimento e criar casas-abrigo. Também defendem maior uso de tecnologias como monitoramento eletrônico e sistemas de alerta.
Serviço
📞 Denúncias
• Central de Atendimento à Mulher: 180
• Polícia Militar (em caso de risco iminente): 190


