Hospitais de referência deixam de operar casos oftalmológicos mais complexos por ausência de facoemulsificador, equipamento essencial para o procedimento
Crise no atendimento oftalmológico público
Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que necessitam de cirurgias oftalmológicas mais complexas, como catarata associada a glaucoma ou traumas oculares, enfrentam uma grave interrupção no atendimento na Grande Florianópolis. Dois dos principais hospitais públicos da região — o Hospital Regional de São José e o Hospital Governador Celso Ramos — suspenderam os procedimentos após a retirada do facoemulsificador, equipamento indispensável para a remoção do cristalino opacificado.
Equipamento essencial foi retirado após fim de contrato
O facoemulsificador é vital para cirurgias de catarata, especialmente as mais delicadas, como em crianças, pessoas com deficiência mental ou autismo. A suspensão ocorreu após o fim do contrato com a empresa que alugava o aparelho. Desde então, apenas cirurgias consideradas simples estão sendo realizadas, em mutirões promovidos por uma empresa terceirizada. Os casos mais graves ficaram sem atendimento.
Filas paralelas e atendimentos paliativos
Sem previsão de solução imediata, uma fila paralela à do SUS foi criada para os casos mais complexos. Já os atendimentos emergenciais oftalmológicos estão limitados a cuidados paliativos. Lesões mais graves, que antes eram tratadas com cirurgia, agora têm apenas contenção superficial.
Ministério Público cobra solução urgente
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recomendou à Secretaria de Estado da Saúde (SES) a aquisição emergencial dos equipamentos, com dispensa de licitação. A Promotoria alertou para o risco de ação civil pública caso os atendimentos não sejam restabelecidos com urgência.
Estado tenta reativar serviço, mas enfrenta impasses
A SES informou que solicitou o retorno imediato dos aparelhos no dia 15 de julho, após a última licitação fracassar por causa dos altos valores apresentados pelas empresas. A Secretaria afirma que está buscando alternativas, como o remanejamento de pacientes para outras unidades e contratação emergencial.
Cenário ainda é de incerteza para pacientes
Mesmo com a promessa de uma política estruturada de cirurgias oftalmológicas em Santa Catarina — que realizou mais de 100 mil procedimentos eletivos em 2024 —, os pacientes da Grande Florianópolis continuam sem acesso aos serviços mais complexos. E, até agora, seguem sem prazo para uma solução definitiva.


