Revelação de mensagens questiona atuação de Alexandre de Moraes
Mensagens divulgadas na noite desta terça-feira (13) revelam que Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou à Justiça Eleitoral a produção de relatórios para fundamentar decisões contra bolsonaristas no inquérito das fake news. As conversas, obtidas pela Folha de S.Paulo, indicam que o ministro e seu juiz assessor tinham como alvo figuras específicas, como o jornalista Rodrigo Constantino, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a juíza Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Estratégia para desmonetização e foco em figuras públicas
Os diálogos, que ocorreram no final de 2022, envolvem Airton Vieira, juiz instrutor do gabinete de Moraes; Antônio Vargas, juiz auxiliar durante a presidência de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); e Eduardo Tagliaferro, então chefe da AEED (Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação). Em uma das mensagens, Vieira solicita um levantamento de revistas de direita, com a intenção de desmonetizar suas publicações. Em outra, há menção à relação de Eduardo Bolsonaro com o argentino Fernando Cerimedo, que alegava fraude nas eleições de 2022. Já no caso de Rodrigo Constantino, pedidos de ajustes nos relatórios do TSE focavam em postagens que criticassem o tribunal e defendessem um golpe, mas sem citar diretamente Moraes.
Alvo de investigação: juíza Maria do Carmo Cardoso
Outro alvo das investigações foi a juíza Maria do Carmo Cardoso, amiga da família Bolsonaro. As mensagens revelam que foram coletadas postagens da juíza criticando eventos como a Copa do Mundo e apoiando manifestações em frente a quartéis, o que gerou preocupação entre os bolsonaristas sobre possíveis perseguições políticas.
Reação dos parlamentares bolsonaristas
As revelações provocaram uma forte reação de senadores e deputados bolsonaristas, que agora defendem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou que as informações podem constituir crime e interferência ilegal nas eleições. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também trabalha para reforçar o pedido de impeachment, contando já com o apoio de mais de 12 senadores e dezenas de deputados.
Posicionamento de Alexandre de Moraes
Em resposta, o gabinete de Alexandre de Moraes emitiu uma nota afirmando que as determinações e solicitações feitas a órgãos como o TSE foram oficiais e regulares, parte do exercício do poder de polícia na investigação de atividades ilícitas, como desinformação e discursos de ódio eleitoral. Os relatórios, segundo a nota, foram integrados às investigações do STF e encaminhados à Polícia Federal, com a ciência da Procuradoria Geral da República, reafirmando a legalidade e a transparência dos procedimentos.


