A crise na saúde pública da Grande São José voltou a ganhar contornos dramáticos. A UPA de Forquilhinhas — referência em pediatria e uma das principais portas de entrada para casos de urgência e emergência da região — pode ter seus serviços completamente suspensos nos próximos dias. Médicos da unidade denunciaram, com exclusividade à reportagem, que estão há meses enfrentando atrasos salariais, situação que já gera revolta, exaustão emocional e risco real de greve geral.
Médicos relatam atraso de salários e clima de revolta
A denúncia foi feita por um profissional da própria equipe médica, que descreveu um cenário de colapso iminente dentro da UPA. Segundo ele, os atrasos são frequentes e têm se agravado mês após mês:
“Era para estarmos recebendo o salário de outubro. Eles pagaram somente a metade do salário de setembro. Prometeram pagar na semana passada. E até agora, nada. Os médicos estão revoltados.”
De acordo com os relatos, a situação está comprometendo a subsistência dos trabalhadores, muitos já acumulando contas atrasadas e vivendo sob intenso estresse. Médicos afirmam que não há mais condições mínimas para manter o atendimento caso a situação não seja regularizada imediatamente.
Risco real de paralisação total da unidade
A possibilidade de uma greve geral assusta moradores e preocupa especialistas em saúde pública. Se a paralisação for oficialmente deflagrada, o impacto será imediato e devastador para a região. Segundo a própria equipe, caso a greve aconteça:
• Nenhum atendimento será realizado — 0% de funcionamento;
• Crianças, adultos e idosos ficarão sem pronto-atendimento;
• Casos de urgência precisarão ser redirecionados para outras cidades;
• A rede de saúde pode entrar em colapso em poucos dias.
A UPA de Forquilhinhas funciona 24 horas por dia e é um dos pilares do atendimento infantil. Diariamente, recebe pacientes com febre, crises respiratórias, vômitos, quedas, traumas e outras emergências. A interrupção total dos serviços colocaria milhares de pessoas desassistidas, especialmente em um período do ano em que a procura costuma aumentar devido a doenças sazonais.
Impacto direto na população e sobrecarga de outras unidades
Profissionais alertam que a suspensão do serviço causaria um efeito dominó em toda a região. Hospitais de São José, Palhoça, Biguaçu e Florianópolis, que já operam no limite, teriam de absorver a demanda da UPA.
A população, especialmente famílias com crianças pequenas, seria a mais prejudicada. Moradores afirmam que a UPA é “insubstituível” e que não há outra unidade com capacidade de atendimento semelhante.
Administração ainda não se pronunciou
A reportagem entrou em contato com a administração da UPA e aguarda um posicionamento oficial sobre os atrasos salariais e o risco iminente de paralisação dos serviços.
Assim que a resposta for enviada, a matéria será atualizada.


