Brasileiro supera Griffin Colapinto em Fiji, se junta à galeria de campeões e confirma hegemonia verde e amarela no esporte
Oitavo título brasileiro em 11 anos
O surfe brasileiro segue soberano no cenário mundial. No último domingo (1º), em Cloudbreak, Fiji, o curitibano Yago Dora, de 29 anos, se tornou campeão mundial da World Surf League (WSL) ao derrotar o americano Griffin Colapinto por 15.66 a 12.33 na grande final.
Essa é a oitava vez em 11 anos que o troféu vem para o Brasil, consolidando a chamada Brazilian Storm, movimento que transformou o país em potência no esporte. Desde 2014, apenas três títulos ficaram com estrangeiros, todos eles com o havaiano John John Florence (2016, 2017 e 2023). Em 2020, por conta da pandemia da Covid-19, não houve competição.
Um título com sabor especial
Líder do ranking durante toda a temporada, Yago tinha a vantagem de precisar de apenas uma vitória na finalíssima para garantir o título. Já Colapinto precisava vencer duas baterias para reverter a situação.
Com boas escolhas de onda e consistência, Yago mostrou frieza em momentos decisivos. Griffin largou melhor, mas o brasileiro respondeu com um 7.33 e, em seguida, anotou um 8.33 que praticamente selou o título. O americano ainda tentou reagir, mas não conseguiu a onda necessária para a virada.
“É inacreditável para mim. Desde que cheguei em Fiji senti essa energia e acreditei nesse título. Estou muito feliz em trazer mais um troféu para o Brasil”
disse Yago emocionado, comemorando ao lado dos pais e da namorada em uma embarcação.
A trajetória até o topo
Natural de Curitiba, mas radicado em Florianópolis, Yago Dora cresceu em contato com o surfe desde criança. Filho do experiente surfista e comentarista Leandro Dora, o “Grilo”, ele sempre foi visto como um talento promissor.
Nos últimos anos, consolidou seu nome no circuito mundial com vitórias marcantes, estilo técnico e progressivo, além de carisma fora da água. O título mundial, agora, coloca definitivamente seu nome entre os grandes do esporte.
A força da Brazilian Storm
Yago agora se junta a uma lista de respeito:
• Gabriel Medina (2014, 2018, 2021)
• Adriano de Souza, o Mineirinho (2015)
• Ítalo Ferreira (2019)
• Filipe Toledo (2022, 2023)
Com esses nomes, o Brasil dominou quase toda a última década, mostrando ao mundo que a geração brasileira não foi apenas uma onda passageira, mas sim uma potência duradoura.
Italo brilha, mas para em Griffin
O potiguar Ítalo Ferreira, campeão mundial em 2019, também competiu no Finals. Na estreia, mostrou porque é chamado de “Brabo”: despachou o australiano Jack Robinson com autoridade (14.33 a 5.83).
Na segunda rodada, porém, esbarrou em Griffin Colapinto. Em uma bateria equilibrada e polêmica, Italo perdeu por 16.33 a 13.67 e deixou a competição na quarta colocação geral.
Feminino tem campeã australiana
Se no masculino o título ficou no Brasil, no feminino a vitória foi da australiana Molly Picklum. Líder da temporada, ela precisou encarar uma melhor de três contra a americana Caroline Marks.
Após perder a primeira bateria, Molly se recuperou e venceu as duas seguintes, confirmando o troféu mundial com performances sólidas.
Os resultados do Finals em Fiji
📌 1ª rodada
• Caroline Marks (4ª) 9.66 x Bettylou Sakura Johnson (5ª) 5.00
• Jack Robinson (4º) 5.83 x Italo Ferreira (5º) 14.33
📌 2ª rodada
• Caitlin Simmers (3ª) 11.33 x Caroline Marks (4ª) 14.60
• Griffin Colapinto (3º) 16.33 x Italo Ferreira (5º) 13.67
📌 3ª rodada
• Gabriela Bryan (2ª) 9.47 x Caroline Marks (4ª) 13.67
• Jordy Smith (2º) 13.50 x Griffin Colapinto (3º) 15.43
📌 Finais
• Molly Picklum (1ª) 10.50 x Caroline Marks (4ª) 12.50
• Yago Dora (1º) 15.66 x Griffin Colapinto (3º) 12.33
• Molly Picklum (1ª) 15.83 x Caroline Marks (4ª) 8.03
• Molly Picklum (1ª) 16.93 x Caroline Marks (4ª) 6.24
O Brasil no topo do surfe mundial
Com a conquista de Yago, o Brasil reforça sua hegemonia no surfe mundial. A nova geração, que cresceu inspirada em Adriano de Souza e Gabriel Medina, mostra que ainda há fôlego e talento de sobra para os próximos anos.
A expectativa agora se volta para a continuidade da carreira de Yago, que aos 29 anos vive o auge da forma física e mental, e pode abrir caminho para uma sequência de títulos, como fizeram Medina e Toledo.


