A escala 6×1 voltou ao centro das atenções no Congresso Nacional nesta semana, após um pedido de vista coletiva adiar a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Na última quarta-feira, 15 de abril de 2026, o relator Paulo Azi (União-BA) apresentou parecer favorável à constitucionalidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mas a oposição solicitou mais tempo para análise. Consequentemente, a decisão final sobre o texto que pode extinguir o regime de seis dias de trabalho por um de folga ficou para a segunda quinzena do mês.
O caminho da redução gradual
Historicamente, o debate sobre a jornada de trabalho no Brasil busca equilibrar produtividade e saúde ocupacional. O texto em análise na CCJ propõe uma transição escalonada para evitar choques financeiros imediatos no setor produtivo. Se aprovada, a jornada de 44 horas semanais cairia para 40 horas já no primeiro ano de vigência, reduzindo uma hora anualmente até atingir o teto de 36 horas em 2030. Dessa forma, a escala 6×1 daria lugar, obrigatoriamente, ao modelo 5×2 ou variações permitidas por convenções coletivas.
Santa Catarina na vanguarda da jornada
Além disso, Santa Catarina já registra casos práticos de empresas que abandonaram o modelo tradicional antes mesmo da imposição legal. No setor industrial, a têxtil Techprene, em Garopaba, oficializou um acordo inédito para reduzir a jornada para 30 horas semanais sem corte salarial. Já em Blumenau, empresas de tecnologia como a FastBuilt operam no regime 5×2, alegando ganhos na retenção de talentos e produtividade. Entretanto, representantes do setor de serviços e comércio no estado expressam preocupação com o aumento de custos operacionais, que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima em bilhões de reais.
Próximos passos e impacto social
Todavia, o governo federal enviou um projeto de lei paralelo para acelerar a discussão, o que gera uma disputa de protagonismo com a PEC de Erika Hilton (PSOL). O impacto social prometido é a devolução de tempo de descanso a cerca de 38 milhões de trabalhadores formais. Por outro lado, o mercado financeiro monitora o avanço da matéria, temendo pressões inflacionárias decorrentes de novas contratações necessárias para cobrir as folgas. Portanto, o desfecho na CCJ em abril definirá se o tema seguirá para o Plenário ainda no primeiro semestre deste ano.
Em última análise, a discussão sobre a escala 6×1 transcende a política e toca na estrutura fundamental da sociedade moderna. O desafio atual consiste em modernizar as relações de trabalho sem comprometer a sustentabilidade das pequenas empresas, que compõem a maior parte da força econômica catarinense.


