Empate sem gols com a Inter de Limeira expõe falta de ousadia do Figueirense, que criou apenas uma finalização e agora chega à última rodada dependendo de uma combinação improvável para avançar
O Figueirense praticamente deu adeus à classificação para a próxima fase da Série C neste domingo. Diante da Inter de Limeira, o Furacão precisava vencer para manter vivas as chances de avançar, mas ficou no empate sem gols e voltou para Santa Catarina com um resultado que pouco ajuda na luta por uma vaga.
Mais do que o placar, a atuação preocupa. Em uma partida que exigia agressividade e iniciativa, o Figueirense criou muito pouco. A equipe terminou os 90 minutos com apenas uma finalização e não conseguiu transformar a necessidade da vitória em pressão sobre o adversário.
O resultado deixa o time em situação extremamente complicada na tabela. Agora, além de fazer a sua parte na última rodada, contra o Maranhão, o Figueirense precisa contar com outros resultados para manter alguma possibilidade de classificação.
Figueirense cria pouco e não demonstra urgência
Desde o início, ficou claro que o Figueirense teria dificuldades para construir jogadas ofensivas. Igor Bolt tentou algumas ações pelo lado esquerdo, enquanto Dudu buscou participar mais pelo meio. Ainda assim, faltou aproximação entre os jogadores e velocidade para superar a marcação da Inter de Limeira.
A equipe paulista também não apresentou grande produção ofensiva no primeiro tempo. O jogo foi marcado por erros de passe, pouca criatividade e poucas oportunidades claras de gol.
O problema, porém, estava na postura do Figueirense. O time precisava vencer, mas não demonstrava a urgência que a situação exigia.
Os laterais apoiaram pouco, os jogadores de meio-campo ficaram distantes dos atacantes e o Furacão teve dificuldade para criar superioridade pelos lados. Com isso, a bola circulava longe da área adversária e a Inter de Limeira não precisava se expor para controlar a partida.
O gramado ruim também dificultou a troca de passes, mas a condição do campo era a mesma para as duas equipes e não explica, sozinha, a baixa produção ofensiva do Figueirense.
Expulsão deixa missão ainda mais difícil
No segundo tempo, a Inter de Limeira passou a encontrar mais espaços e aumentou a pressão. O Figueirense contou com boas defesas de Fabrício para evitar que o adversário abrisse o placar.
Aos 16 minutos, a situação ficou ainda mais complicada. Lucas Dias recebeu o segundo cartão amarelo e acabou expulso.
Com um jogador a menos, o Figueirense praticamente perdeu a capacidade de controlar a posse de bola e passou a atuar ainda mais distante do gol adversário.
A partir daquele momento, era necessário assumir ainda mais riscos. O empate pouco interessava ao Furacão, que precisava buscar a vitória para continuar dependendo apenas de uma combinação possível de resultados.
Mesmo assim, o time não conseguiu transformar a desvantagem numérica em uma postura mais agressiva. A alternativa passou a ser apostar em bolas levantadas para a área e em eventuais erros da defesa adversária.
O gol, entretanto, não saiu.
Raul Cabral é questionado pela falta de ousadia
A postura do Figueirense também coloca Raul Cabral no centro das críticas. Em uma partida na qual a vitória era praticamente uma obrigação para manter o time vivo na competição, o treinador poderia ter buscado alternativas mais ofensivas.
As mudanças não foram suficientes para modificar o panorama da partida. Mesmo com a necessidade de vencer, o Figueirense terminou o confronto sem conseguir criar uma sequência consistente de ataques.
É claro que a expulsão de Lucas Dias alterou completamente o cenário. No entanto, justamente por estar em desvantagem no placar e na classificação, o Figueirense precisava aceitar o risco de sofrer um contra-ataque para tentar marcar o gol da vitória.
O empate não elimina matematicamente todas as possibilidades, mas deixa o clube em uma situação muito próxima disso.
Pontos perdidos no Scarpelli pesam na campanha
A dificuldade para chegar à última rodada com chances mais concretas de classificação também passa pelos pontos desperdiçados em casa.
O Figueirense não conseguiu transformar o Orlando Scarpelli em uma fonte segura de pontos ao longo da competição. Em uma Série C marcada pelo equilíbrio, deixar escapar resultados diante da própria torcida acaba tendo um peso enorme na reta final.
Agora, o time chega à última rodada sem depender apenas de si.
O confronto com o Maranhão deveria ser decisivo pela classificação, mas o Figueirense terá de entrar em campo sabendo que a vitória, sozinha, pode não ser suficiente. Será necessário acompanhar outros resultados e fazer contas para descobrir se ainda existe um caminho para a próxima fase.
O cenário é consequência de uma campanha que teve oportunidades desperdiçadas ao longo da competição.
Depois de um estadual marcado pelo rebaixamento, o Figueirense agora corre o risco de terminar a temporada com outra frustração. E o empate diante da Inter de Limeira pode ser lembrado justamente como o jogo em que o time precisava se arriscar, mas escolheu uma postura conservadora quando já não havia muito mais a preservar.


