Após 20 dias de paralisação, a greve dos empregados da Caixa Econômica Federal chegou ao fim nesta terça-feirApós 20 dias de paralisação, os empregados da Caixa Econômica Federal encerraram a greve nesta terça-feira (29). Com isso, as agências da Caixa devem retomar o atendimento nesta quarta-feira (30).
A greve começou em 10 de setembro. Naquele momento, a Caixa e os representantes dos trabalhadores não chegaram a um acordo para renovar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Entre os principais pontos de divergência, estava o modelo de custeio do Saúde Caixa.
TST determina o fim da greve
No dia 23 de setembro, a Caixa apresentou um dissídio contra a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).
Na ocasião, o banco pediu que o TST declarasse a greve ilegal. Segundo a Caixa, a atividade exercida pelos trabalhadores tem caráter essencial.
Posteriormente, na sexta-feira (25), o ministro Mauricio Godinho Delgado, relator do processo no TST, determinou que pelo menos 60% dos empregados continuassem trabalhando. A medida valia para atividades presenciais ou remotas.
Entretanto, nesta terça-feira (29), a Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST considerou a greve não abusiva.
Além disso, a Corte determinou o retorno imediato dos trabalhadores às atividades.
Reajuste salarial chega a 100% do INPC mais 0,6%
Além de determinar o fim da paralisação, o TST também definiu o reajuste salarial dos empregados da Caixa.
A categoria terá reajuste equivalente a 100% do INPC, mais 0,6% de aumento real.
Da mesma forma, o índice será aplicado a outros benefícios. Entre eles estão:
- auxílio-refeição e alimentação;
- auxílio-cesta-alimentação;
- auxílio-creche;
- auxílio-babá;
- indenização por assalto ou sinistro.
Além disso, a decisão terá validade de dois anos. O período começa em 1º de setembro de 2026 e termina em 31 de agosto de 2028.
Por outro lado, os trabalhadores não terão desconto salarial pelos dias de greve. No entanto, deverão compensar o período de paralisação em até 180 dias.
Saúde Caixa continua com regras anteriores
O Saúde Caixa esteve no centro das negociações entre a instituição e os sindicatos.
De acordo com a Caixa, o banco defende mudanças no modelo atual. Para a instituição, um relatório técnico aponta dificuldades para manter a sustentabilidade financeira do plano.
Em contrapartida, as entidades sindicais defendem a manutenção do modelo de custeio solidário. Além disso, os representantes dos trabalhadores questionam o estudo apresentado pela Caixa e pedem uma perícia oficial.
Diante desse cenário, o TST manteve as regras previstas na norma coletiva anterior para o Saúde Caixa.
A partir da decisão, o reajuste dos valores do plano seguirá o mesmo índice aplicado aos salários. Além disso, a mensalidade do titular continuará em 3,5% da remuneração.
Da mesma forma, as demais regras continuam valendo. Entre elas estão as normas sobre mensalidades adicionais de dependentes, teto de renda dos beneficiários indiretos e coparticipação.
Sindicato comenta decisão do TST
O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região divulgou uma nota sobre a decisão.
Segundo a entidade, o resultado reforça a importância da Convenção Coletiva de Trabalho e da negociação entre trabalhadores e instituições financeiras.
Além disso, o sindicato destacou a manutenção do reajuste com aumento real e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Entretanto, a entidade demonstrou preocupação com as mudanças relacionadas ao Saúde Caixa. Segundo o sindicato, a decisão representa um retrocesso econômico para os trabalhadores.
Ainda de acordo com o sindicato, o déficit do plano poderá gerar novos custos para os empregados. Por isso, o movimento sindical pretende continuar acompanhando a situação.
Agências da Caixa voltam a funcionar
Com o fim da greve, os empregados da Caixa devem retornar ao trabalho nesta quarta-feira (30).
Assim, as agências retomam o atendimento após 20 dias de paralisação.
Por fim, a decisão do TST encerra o movimento e define as principais condições econômicas e trabalhistas para os empregados da Caixa nos próximos dois anos.

