Propaganda gratuita segue até 1º de outubro; primeiro turno ocorre em 4 de outubro e candidatos à Presidência estreiam nos blocos em rede no sábado (29)
O horário eleitoral gratuito das Eleições 2026 começa nesta sexta-feira (28) nas emissoras de rádio e televisão de todo o país. A propaganda segue até 1º de outubro, enquanto o primeiro turno ocorre em 4 de outubro.
Durante esse período, partidos, federações e coligações poderão apresentar candidatos, propostas e mensagens de campanha aos eleitores. Para isso, a Justiça Eleitoral divide a propaganda em dois formatos: programas em bloco e inserções de 30 ou 60 segundos ao longo da programação.
Além disso, as emissoras precisam reservar 70 minutos por dia para as inserções, entre 5h e meia-noite. Já os programas em rede seguem horários específicos, de segunda-feira a sábado, conforme o cargo em disputa.
Embora o período de propaganda comece oficialmente nesta sexta-feira, os candidatos à Presidência terão o primeiro programa em bloco no sábado (29). Ainda nesta sexta, porém, os presidenciáveis já poderão aparecer nas inserções espalhadas pela programação.
Como funciona a divisão do tempo do horário eleitoral
Os candidatos não recebem o mesmo espaço durante o primeiro turno.
A legislação eleitoral distribui 90% do tempo disponível de forma proporcional ao número de representantes dos partidos na Câmara dos Deputados. No caso das coligações para cargos majoritários, o cálculo considera as maiores legendas ou federações que participam da aliança.
Por outro lado, a Justiça Eleitoral divide os 10% restantes igualmente entre as candidaturas que têm direito à propaganda.
Além disso, os partidos precisam atender aos critérios da chamada cláusula de desempenho. Esse mecanismo estabelece requisitos mínimos de representação política para que as legendas tenham acesso aos recursos previstos pela legislação.
Dessa forma, candidaturas apoiadas por partidos e federações com bancadas maiores no Congresso concentram uma parcela maior do horário eleitoral.
Lula terá o maior tempo entre os candidatos à Presidência
Na disputa pelo Palácio do Planalto, quatro candidaturas terão espaço nos programas em bloco.
A coligação que apoia Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficará com o maior tempo. O presidente terá aproximadamente 5 minutos e 31 segundos em cada bloco presidencial.
Em seguida aparece Flávio Bolsonaro (PL), com cerca de 4 minutos e 20 segundos. Já Ronaldo Caiado (PSD) terá aproximadamente 2 minutos e 2 segundos.
Por sua vez, Augusto Cury (Avante) contará com cerca de 35 segundos de propaganda em cada programa.
A Justiça Eleitoral também definiu a ordem das candidaturas no primeiro bloco. O Avante aparece primeiro, seguido pelo PSD, PL e pela coligação de Lula.
Depois da estreia, no entanto, um sistema de rodízio altera essa sequência nos programas seguintes.
Candidatos também terão inserções durante a programação
Além dos programas em bloco, as campanhas presidenciais poderão utilizar inserções de 30 segundos distribuídas ao longo do dia.
Ao todo, o plano de mídia prevê 980 inserções de 30 segundos durante o período destinado à propaganda presidencial.
A coligação de Lula terá 434 inserções. Enquanto isso, o PL contará com 339, o PSD terá 160 e o Avante ficará com 47.
Portanto, o tamanho das bancadas partidárias influencia tanto o tempo nos blocos quanto a quantidade de inserções disponíveis para cada candidatura.
Zema e Renan Santos ficam fora dos blocos
Outros candidatos à Presidência não terão espaço nos programas em bloco do horário eleitoral gratuito.
Entre eles estão Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). As legendas não atendem aos critérios considerados para a distribuição do tempo gratuito de rádio e televisão.
O Novo não alcançou os requisitos necessários da cláusula de desempenho nas eleições anteriores. Já o Missão surgiu posteriormente e não possui a representação parlamentar exigida para participar da divisão do horário.
Mesmo assim, a ausência dos blocos gratuitos não impede as candidaturas de participarem das eleições. Os candidatos ainda podem utilizar outros meios de campanha permitidos pela legislação.
Confira os horários da propaganda eleitoral em 2026
A programação muda de acordo com o cargo em disputa.
Nas terças, quintas e sábados, os programas em bloco terão propaganda das candidaturas à Presidência da República e à Câmara dos Deputados.
Presidente da República — terças, quintas e sábados
Rádio:
7h às 7h12min30
12h às 12h12min30
Televisão:
13h às 13h12min30
20h30 às 20h42min30
Deputado federal — terças, quintas e sábados
Rádio:
7h12min30 às 7h25
12h12min30 às 12h25
Televisão:
13h12min30 às 13h25
20h42min30 às 20h55
Já nas segundas, quartas e sextas-feiras, os eleitores acompanharão as propagandas para Senado, Assembleias Legislativas, Câmara Legislativa do Distrito Federal e governos estaduais.
Em 2026, os eleitores escolherão 54 dos 81 senadores, já que a eleição renovará dois terços das cadeiras do Senado. Assim, cada estado e o Distrito Federal elegerão dois representantes para a Casa.
Por isso, a divisão dos blocos de segunda, quarta e sexta-feira segue uma duração diferente.
Senador — segundas, quartas e sextas
Rádio:
7h às 7h07
12h às 12h07
Televisão:
13h às 13h07
20h30 às 20h37
Deputado estadual e distrital — segundas, quartas e sextas
Rádio:
7h07 às 7h16
12h07 às 12h16
Televisão:
13h07 às 13h16
20h37 às 20h46
Governador — segundas, quartas e sextas
Rádio:
7h16 às 7h25
12h16 às 12h25
Televisão:
13h16 às 13h25
20h46 às 20h55
Segundo turno terá divisão igual do tempo
Caso nenhum candidato à Presidência alcance a quantidade necessária de votos no primeiro turno, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Nesse cenário, a regra muda. A Justiça Eleitoral passa a dividir igualmente o tempo de propaganda entre os dois candidatos.
Portanto, o tamanho das bancadas partidárias deixa de influenciar a duração dos programas nessa fase da eleição.
Além disso, a televisão e o rádio passam a transmitir a propaganda presidencial de segunda-feira a sábado, em dois blocos diários de dez minutos.
Lula e Flávio Bolsonaro adotam estratégias diferentes
As campanhas dos dois candidatos com maior tempo no horário presidencial prepararam estratégias distintas para a estreia.
A equipe de Luiz Inácio Lula da Silva pretende explorar principalmente o contraste entre a trajetória política do petista e a de Flávio Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas pelo R7, a campanha deve recuperar investigações, acusações e episódios ligados à trajetória política do senador do PL.
Ao mesmo tempo, o programa pretende apresentar a história pessoal e política de Lula. A campanha deve abordar desde a infância do presidente até sua atuação sindical, entrada na política e chegada à Presidência da República em 2002.
Dessa maneira, o PT pretende utilizar a comparação das trajetórias como uma das principais estratégias contra o adversário.
Flávio Bolsonaro aposta em segurança e economia
Por outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro deve concentrar a primeira fase do horário eleitoral principalmente em segurança pública e custo de vida.
O senador pretende criticar a atual política de segurança e a atuação do Ministério da Justiça. Além disso, sua campanha deverá apresentar propostas para a área.
Na economia, o programa pretende comparar a situação atual do poder de compra da população com medidas adotadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O candidato a vice-presidente na chapa, Alfredo Gaspar (PL-AL), também participará das peças eleitorais.
Além dele, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aparecerá na propaganda. No entanto, integrantes da campanha indicam que ela terá uma participação mais discreta nas primeiras exibições.
Com o início do horário eleitoral, as campanhas entram em uma nova fase da disputa pelo Palácio do Planalto.
Além das redes sociais, agendas de rua, entrevistas e debates, os candidatos passam a contar com a ampla exposição proporcionada pelo rádio e pela televisão. Dessa forma, a propaganda gratuita se torna uma das principais ferramentas das campanhas na reta final antes do primeiro turno.


