Uma das maiores operações já realizadas contra o crime organizado no Brasil foi deflagrada nesta quinta-feira (28), atingindo diretamente o setor de combustíveis. A Operação Carbono Oculto revelou um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro, controlado por facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Fraudes que lesaram consumidores e o Estado
As investigações apontam que os consumidores pagavam por combustíveis adulterados ou recebiam volumes menores do que o registrado nas bombas. Além disso, donos de postos relataram que, ao vender seus estabelecimentos, nunca receberam o valor combinado e ainda sofreram ameaças de morte.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), as fraudes podem ter causado um prejuízo superior a R$ 7,6 bilhões.
Postos controlados por facções em Santa Catarina
Mais de 300 postos foram alvos da operação em oito estados, incluindo Santa Catarina, onde foram cumpridos mandados em Criciúma e Itajaí. Um levantamento divulgado pelo R7 aponta que pelo menos cinco postos catarinenses estão sob domínio de facções criminosas.
O delegado Daniel Régis, da DEIC, afirmou que o uso de postos por facções não é novidade, mas o levantamento mostra a expansão do crime organizado no setor.
O papel do PCC no esquema
O PCC utilizava centenas de empresas de fachada, usinas, terminais portuários, caminhões e até fundos de investimento para movimentar e dissimular recursos ilícitos. Entre os bens adquiridos estão fazendas avaliadas em R$ 31 milhões em SP e uma mansão de R$ 13 milhões em Trancoso (BA).
Segundo a Receita Federal, apenas uma fintech ligada ao grupo movimentou R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024, atuando como um “banco paralelo” do crime organizado.
Como funcionava o esquema
• Adulteração de combustíveis: uso de metanol para fabricar gasolina fora das especificações da ANP.
• Sonegação fiscal: mais de R$ 8,6 bilhões em tributos federais foram fraudados.
• Lavagem de dinheiro: cerca de mil postos em dez estados movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
• Fundos de investimento e fintechs: usados para blindagem patrimonial e ocultação de valores.
Operação nacional integrada
A Carbono Oculto mobilizou 1.400 agentes de órgãos como MP, PF, polícias estaduais, Receita Federal, ANP e secretarias estaduais. Foram cumpridos 14 mandados de prisão, 54 de busca e apreensão e bloqueios de bens de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas.
O especialista em segurança pública Welliton Caixeta Maciel lembra que o envolvimento do crime organizado no setor vem desde os anos 1990:
“O setor de combustíveis oferece infraestrutura para lavagem de dinheiro, expansão territorial e fortalecimento de facções como PCC, Comando Vermelho e Família do Norte.”


