O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso na madrugada desta sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar em um voo com destino a El Salvador. A detenção ocorreu após ele apresentar documentos falsos às autoridades migratórias paraguaias.
A informação foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, após consulta do blog. A prisão aconteceu com apoio direto da Polícia Federal brasileira, que já havia comunicado países vizinhos sobre a fuga do ex-dirigente da PRF.
Rompimento da tornozeleira e alerta internacional
Silvinei Vasques estava em Santa Catarina quando rompeu a tornozeleira eletrônica, medida cautelar imposta após decisões judiciais. Assim que o equipamento deixou de transmitir sinais, autoridades brasileiras acionaram forças de segurança de países vizinhos, como Paraguai, Argentina e Colômbia, alertando para uma possível tentativa de fuga internacional.
A movimentação foi considerada suspeita desde os primeiros momentos, principalmente diante do histórico recente de condenações do ex-diretor da PRF no Supremo Tribunal Federal (STF).
Documento falso, identidade fictícia e tentativa de enganar autoridades
No momento da abordagem no aeroporto de Assunção, Silvinei apresentou documentos em nome de Julio Eduardo, identidade que não correspondia às informações biométricas coletadas pela polícia paraguaia. Durante a verificação de fotografias, numeração de documentos e impressões digitais, ficou claro que se tratava de uma fraude.

Segundo o diretor de Migrações do Paraguai, Jorge Kronawetter, Silvinei chegou a entregar uma declaração escrita afirmando que teria câncer na cabeça e que, por esse motivo, não poderia falar. No entanto, diante das inconsistências, acabou confessando que os documentos não eram dele.
“Além de ter ingressado de maneira irregular, ele também tentou usar uma identidade que não lhe correspondia, o que configura duas infrações previstas na lei migratória paraguaia”, explicou Kronawetter.
Prisão, expulsão do Paraguai e entrega ao Brasil
Sem mandado de prisão em vigor no Paraguai nem ordem de captura da Interpol, Silvinei Vasques não foi extraditado, mas sim expulso do país, conforme prevê a legislação local. Ele foi conduzido algemado e com capuz do aeroporto até Cidade do Leste, onde foi entregue à Polícia Federal brasileira na aduana.
Após a entrega, Silvinei passou a noite de sexta-feira (26) na sede da PF em Foz do Iguaçu (PR). Na manhã deste sábado (27), às 9h20, foi transferido em uma aeronave da Polícia Federal para Brasília (DF), com decolagem registrada às 10h.



Fuga começou na véspera de Natal, aponta PF
Em relatório enviado ao ministro do STF Alexandre de Moraes, a Polícia Federal detalhou os passos da fuga. Segundo o documento, Silvinei deixou sua residência em São José (SC) ainda na noite de quarta-feira (24), véspera de Natal, antes mesmo da tornozeleira apresentar falhas.
Imagens de segurança mostram que ele saiu do condomínio por volta das 19h22, após carregar um veículo alugado com sacolas, ração e tapetes higiênicos para animais. Silvinei embarcou com um cachorro da raça pitbull e, desde então, não foi mais visto no local.
Equipes da Polícia Penal de Santa Catarina e da Polícia Federal foram até o endereço, mas não localizaram o ex-diretor. A garagem estava vazia e ninguém atendeu no apartamento.

Prisão preventiva decretada por Alexandre de Moraes
Diante das informações, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva de Silvinei Vasques, entendendo que houve clara tentativa de fuga para descumprir ordens judiciais.
“As diligências realizadas indicam a efetivação da fuga, em violação às medidas cautelares impostas”, escreveu Moraes.
O ministro destacou ainda o uso de veículo alugado, a saída do domicílio no período noturno e o transporte de animal de estimação como indícios claros de evasão planejada.
Condenações no STF e atuação na trama golpista
Neste mês, Silvinei Vasques foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 24 anos e 6 meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo a decisão, ele integrou o chamado “núcleo 2” da organização criminosa, atuando no monitoramento de autoridades e na dificultação do voto de eleitores, especialmente no Nordeste, por meio de operações da PRF no segundo turno.
Antes disso, ele já havia sido condenado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro por uso político da estrutura da PRF durante a campanha eleitoral, utilizando símbolos e recursos da corporação para favorecer a candidatura de Jair Bolsonaro. A decisão resultou em multa superior a R$ 500 mil, além de outras sanções cíveis.
Passagem pela Prefeitura de São José
Mesmo respondendo a processos graves, Silvinei Vasques foi nomeado, em janeiro de 2025, secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Prefeitura de São José (SC), pelo prefeito Orvino Coelho de Ávila (PSD).
No entanto, em dezembro de 2025, no mesmo dia em que foi condenado pelo STF na trama golpista, pediu exoneração do cargo.


