Amanda Moura Devillo, de 28 anos, enfrentou meses de quimioterapia após uma neoplasia trofoblástica gestacional se espalhar para outras regiões do corpo; tratamento conseguiu preservar o útero e o sonho de uma futura gravidez
Aos 28 anos, Amanda Moura Devillo transformou meses marcados por uma perda gestacional, um diagnóstico inesperado e uma intensa rotina de tratamento em uma história de esperança. Moradora de Palhoça, na Grande Florianópolis, ela encerrou nesta quarta-feira (23) o tratamento contra uma neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer relacionado à gestação.
A doença foi descoberta em maio, depois que uma gravidez não evoluiu como esperado. Amanda havia parado de tomar anticoncepcional em janeiro e engravidou cerca de dois meses depois.
Inicialmente, a gestação seguia normalmente. Com o avanço dos exames, no entanto, os médicos constataram a ausência de batimentos cardíacos. O caso foi tratado, naquele primeiro momento, como uma perda gestacional.
Mas um detalhe começou a chamar a atenção da equipe médica: os níveis de beta-HCG, hormônio associado à gravidez, continuavam aumentando mesmo após a interrupção da gestação.
Além da alteração nos exames, Amanda passou a apresentar sangramentos. Depois de duas cirurgias e da realização de biópsias, veio o diagnóstico de uma mola gestacional que havia evoluído para uma neoplasia trofoblástica gestacional.
Doença se espalhou e tratamento começou rapidamente
Quando recebeu o diagnóstico, Amanda já apresentava um quadro avançado da doença. Segundo ela, células cancerígenas haviam se espalhado pela corrente sanguínea e provocado metástases no pulmão e na região do assoalho pélvico, próxima ao intestino.
A partir daquele momento, o tempo passou a ser decisivo.
Uma semana depois do diagnóstico, Amanda foi submetida a uma cirurgia para a colocação de um cateter. Na sexta-feira seguinte, iniciou a primeira sessão de quimioterapia.
“Foi uma corrida contra o tempo”, relembra.
O tratamento começou em junho e se estendeu por meses. Em determinadas semanas, Amanda permanecia por dois dias seguidos no hospital. A primeira sessão podia chegar a aproximadamente 15 horas de duração, enquanto o segundo dia envolvia cerca de cinco horas de tratamento.
Apesar da intensidade das sessões e dos efeitos colaterais, ela tentou manter parte da rotina.
Profissional da área de marketing, Amanda continuou trabalhando, principalmente em home office. Nos períodos em que se sentia melhor, também buscava viajar e aproveitar momentos ao lado de pessoas próximas.
A escolha, segundo ela, era não permitir que o diagnóstico definisse toda a sua vida.
“Eu não quero ficar na coitadolândia”, afirmou ao explicar a maneira como decidiu enfrentar o tratamento.
Preservação do útero manteve vivo o sonho da maternidade
Além da preocupação com o combate ao câncer, uma questão acompanhou Amanda desde o início: a possibilidade de ser mãe no futuro.
Segundo a jovem, por se tratar de uma doença pouco conhecida, diferentes abordagens médicas poderiam ser consideradas conforme a evolução de cada paciente. Em seu caso, o acompanhamento com profissionais especializados permitiu que o tratamento fosse realizado com preservação do útero.
Com isso, Amanda manteve a possibilidade de tentar uma nova gravidez no futuro.
“Agora, isso foi só uma etapa. Uma vírgula na minha história. Não foi um ponto final”, afirma.
Após fim da quimioterapia, começa nova fase de acompanhamento
O encerramento das sessões de quimioterapia não significa, porém, o fim dos cuidados médicos.
Amanda continuará sendo acompanhada e precisará esperar antes de tentar engravidar novamente. A orientação recebida é de aguardar pelo menos um ano, período utilizado para monitorar o organismo e acompanhar a evolução clínica após o tratamento.
Mesmo diante da espera, o desejo de ser mãe continua presente.
Ela relembra uma conversa com a médica que a acompanha desde o início do tratamento. Segundo Amanda, a profissional sempre reforçou a possibilidade de um futuro diferente após a doença.
“Ela falou para mim: ‘Fica tranquila, porque um dia, daqui a alguns anos, a gente vai se encontrar no shopping e tu vai estar com teus filhos’”, recorda.
Depois de meses entre cirurgias, exames e longas sessões de quimioterapia, Amanda encerra uma das fases mais difíceis de sua história com a mesma certeza que carregou durante o tratamento: o câncer fez parte do caminho, mas não precisa determinar os próximos capítulos.

