A violência contra a mulher ceifou mais uma vida precoce na Grande Florianópolis. Uma jovem de apenas 14 anos foi assassinada no bairro Caminho Novo, em Palhoça, no último fim de semana de julho. As investigações policiais enquadram o caso como feminicídio em SC. Além de lidar com a dor irreparável da perda, os pais vivem o desespero de uma tragédia que tentaram impedir.
O caso: mistério resolvido após acidente na BR-101
A tragédia começou a ser descoberta na tarde de sábado (25). O suspeito, de 25 anos, morreu atropelado por um caminhão na BR-101 por volta das 15h, enquanto tentava cruzar a rodovia empurrando uma bicicleta. Como estava sem documentos, o corpo seguiu para a funerária sem identificação.
Entretanto, um bilhete encontrado no bolso da calça do homem mudou os rumos do caso. O papel continha um endereço residencial. Na manhã de domingo (26), um funcionário do serviço funerário foi até o local para notificar os familiares sobre o falecimento e encontrou o corpo da adolescente com severas marcas de violência dentro de uma kitnet.

Família tentou afastar a jovem do suspeito
A vítima estava desaparecida desde a tarde de sábado, quando saiu da casa dos pais e não retornou. Diante do sumiço, a família registrou um boletim de ocorrência no mesmo dia. Tempos antes do crime, o homem procurou os responsáveis pela menor para pedir autorização para o namoro. Na ocasião, ele mentiu a idade e afirmou ter 19 anos.
Ao descobrirem a farsa e constatarem a grande diferença de idade, os pais proibiram o relacionamento. Na tentativa de proteger a filha, eles retiraram o acesso dela à internet e apagaram suas redes sociais. Contudo, o isolamento digital não conseguiu conter a aproximação do agressor, culminando no trágico caso de feminicídio em SC.
Como a psicologia orientação a prevenção em casos com adolescentes
Diante da dor vivida por esta família e do impacto na comunidade local, especialistas em psicologia comportamental e educacional alertam para os riscos do isolamento forçado durante a adolescência. Quando pais tentam cortar o acesso à internet ou proibir o contato de forma abrupta, os jovens tendem a se afastar do núcleo familiar por medo de punições, buscando abrigo justamente no agressor.
Para prevenir relacionamentos abusivos e situações de risco na juventude, psicólogas recomendam:
- Diálogo aberto e sem tabus: Conversar abertamente sobre a diferença de idade, consentimento e controle, em vez de apenas emitir proibições sem explicação.
- Identificação dos sinais de alerta: Ensinar a adolescente a reconhecer comportamentos de controle excessivo, ciúme doentio, manipulação e isolamento de amizades.
- Acolhimento ao invés do castigo: Garantir que a jovem sinta segurança para pedir ajuda caso se sinta ameaçada ou pressionada, sem o temor de perder a liberdade em casa.
- Educação afetiva: Promover debates em casa e nas escolas sobre relacionamentos saudáveis e respeito aos limites individuais.
Atualmente, a Polícia Civil de Santa Catarina mantém o inquérito aberto para esclarecer a dinâmica exata do assassinato e prestar o suporte necessário à família enlutada.


