A prévia do PIB em Santa Catarina registrou estabilidade nos dois primeiros meses de 2026, refletindo um momento de cautela e ajuste na economia estadual. De acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), o estado navegou por águas calmas no início do ano, equilibrando o crescimento expressivo do setor de serviços com desafios persistentes na produção industrial. Consequentemente, o resultado sinaliza uma acomodação após os ciclos de expansão acelerada vistos no ano anterior. Dessa forma, Santa Catarina inicia o ciclo anual mantendo sua resiliência, mesmo diante de um cenário nacional marcado por juros ainda restritivos.
O comportamento dos setores produtivos
Historicamente, a economia catarinense se destaca pela diversificação, o que ajuda a amortecer quedas bruscas em segmentos isolados. No primeiro bimestre da prévia do PIB em Santa Catarina, o setor de serviços e o comércio foram os grandes protagonistas, sustentados pelo aumento da renda real da população e pelo movimento turístico intenso. Entretanto, a indústria enfrentou ventos contrários, com um recuo de cerca de 6,2% na produção, impactada diretamente pelo custo do crédito e pelas barreiras tarifárias no mercado externo. Além disso, a agropecuária segue como um pilar de sustentação, aguardando os reflexos da nova safra de grãos para impulsionar os números dos próximos meses.
Detalhes técnicos e arrecadação
Os dados do Banco Central mostram que, embora a atividade tenha ficado estável na margem, a base de comparação com 2025 é elevada, o que torna o resultado atual tecnicamente positivo. Paralelamente, a arrecadação estadual cresceu 7,7% no primeiro trimestre, somando R$ 15,4 bilhões, um indicativo de que a circulação de riquezas permanece ativa apesar da estabilidade do índice. Todavia, a produção de móveis e itens de exportação sofreu retração devido ao cenário internacional mais fechado. Assim, o governo estadual monitora de perto os indicadores para calibrar incentivos e políticas de fomento regional.
Expectativas para o restante do ano
Especialistas e economistas projetam que Santa Catarina deve encerrar 2026 com um crescimento acumulado em torno de 1,85%, mantendo-se acima da média brasileira. O otimismo moderado se baseia na expectativa de uma flexibilização gradual da taxa Selic e na recuperação do poder de compra das famílias. Além disso, novos investimentos industriais, como no setor de nutrição animal e tecnologia, devem começar a maturar no segundo semestre. Dessa forma, a estabilidade do primeiro bimestre é vista mais como um “respiro” estratégico do que como uma tendência de estagnação a longo prazo.
Manter o equilíbrio entre setores tão distintos é o desafio constante do estado mais dinâmico do Brasil. A estabilidade agora pode ser o alicerce necessário para um salto de produtividade nos trimestres que virão.


