Os peixes mortos em Florianópolis, encontrados no Manguezal do Itacorubi, geraram uma divergência técnica entre especialistas nesta semana. Embora o Instituto do Meio Ambiente (IMA) sugira causas naturais, os pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) afirmam que o esgoto não tratado provocou o desastre. De acordo com a nota técnica da universidade, a poluição crônica criou um cenário de asfixia para as manjubinhas.
Esgoto e as zonas mortas no Itacorubi
Acima de tudo, os pesquisadores Alessandra Larissa Fonseca e Paulo Horta destacam a formação de “zonas mortas”. Devido ao lançamento excessivo de matéria orgânica, as bactérias consomem o oxigênio da água rapidamente durante a decomposição. Como resultado, os níveis de oxigênio dissolvido atingem patamares críticos, tornando a sobrevivência da fauna impossível.
Além disso, a análise das brânquias indica que substâncias tóxicas do escoamento urbano podem ter agravado o quadro. Portanto, os especialistas da UFSC defendem que o problema possui raízes estruturais no saneamento básico da região, e não apenas fatores climáticos isolados.
A tese do IMA sobre os peixes mortos em Florianópolis
Por outro lado, o IMA sustenta a hipótese de floração de microalgas. Segundo o órgão estadual, as algas consomem oxigênio durante a noite e, posteriormente, liberam toxinas ao morrer. Consequentemente, esse processo de hipóxia teria atingido as espécies mais sensíveis, como a manjubinha, em áreas de baixa circulação.
Apesar da divergência, o IMA recomenda que a população não consuma os animais e evite o contato com águas que apresentem manchas escuras. Atualmente, as equipes de limpeza já retiraram mais de 350 kg de matéria orgânica do manguezal.
Fiscalização e monitoramento do cenário
Com o objetivo de evitar novos episódios, a UFSC sugere medidas imediatas. Primeiramente, as autoridades devem realizar uma fiscalização rigorosa na rede de esgoto doméstica. Em segundo lugar, a implementação de um monitoramento constante permitiria identificar quedas de oxigênio antes da mortandade massiva.
Em suma, o caso dos peixes mortos em Florianópolis reforça a urgência de investimentos em infraestrutura urbana. Enquanto o relatório final do IMA não fica pronto, a comunidade científica e os moradores aguardam soluções que protejam o ecossistema do Itacorubi de forma definitiva.


