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O Analista Notícias > Blog > Clima > Super El Niño reacende alerta para eventos extremos em Santa Catarina
ClimaSem categoria

Super El Niño reacende alerta para eventos extremos em Santa Catarina

oanalistaonline
Última atualização: 2026/08/13 at 12:13 PM
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7 Minutos de leitura
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Estudo de pesquisador da UFFS mostra que ciclones, vendavais, enxurradas e estiagens fazem parte do histórico do Sul e alerta que a ocupação urbana pode ampliar os impactos dos fenômenos climáticos

Índice
Ciclones e vendavais somam milhares de ocorrênciasSul enfrenta excesso e falta de águaSuper El Niño aumenta preocupaçãoCrescimento das cidades amplia riscosDesastres deixaram 802 mortos no SulPassado pode ajudar na preparação para novos extremos

A possibilidade de ocorrência de um Super El Niño volta a colocar Santa Catarina e os demais estados da Região Sul em alerta para eventos climáticos extremos. Ciclones, vendavais, chuvas intensas, enxurradas e longos períodos de estiagem, porém, não são uma novidade para os moradores da região.

Um levantamento realizado pelo professor Pedro Murara, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Chapecó, analisou registros de desastres ocorridos entre 1991 e 2025. Os dados mostram que os fenômenos extremos fazem parte da história recente do Sul, mas também apontam que a forma como as cidades cresceram pode aumentar significativamente os danos provocados pelo clima.

Doutor em Geografia e presidente da Associação Brasileira de Climatologia, Murara utilizou informações do Atlas Digital do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para traçar um panorama dos desastres registrados nos três estados sulistas.

Ciclones e vendavais somam milhares de ocorrências

Entre 1991 e 2025, a Região Sul registrou aproximadamente 3,23 mil episódios relacionados a vendavais e ciclones. Essas ocorrências representam 14,51% dos registros de desastres contabilizados no período.

Apesar da preocupação frequente com ciclones, são as estiagens e secas que aparecem na liderança do levantamento, com 29,27% das ocorrências.

Na sequência estão as enxurradas, responsáveis por 19,93% dos registros, as chuvas intensas, com 16,03%, e os vendavais e ciclones, com 14,51%.

Somadas, essas quatro categorias representam cerca de 80% dos desastres registrados no Sul do Brasil ao longo de mais de três décadas.

Os números reforçam que os fenômenos extremos não surgiram recentemente. Eles já estavam presentes de maneira significativa no histórico climático da região.

Sul enfrenta excesso e falta de água

Uma das características reveladas pelo estudo é justamente o contraste climático enfrentado pelos estados do Sul. Ao mesmo tempo em que secas e estiagens lideram os registros, a região também convive frequentemente com enchentes, enxurradas e chuvas intensas.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, estiagens e secas correspondem a 41,63% dos registros estaduais. Depois aparecem as enxurradas, com 16,49%, as chuvas intensas, com 14,04%, e os vendavais e ciclones, com 11,61%.

De acordo com Murara, a posição geográfica da Região Sul favorece o encontro de diferentes sistemas atmosféricos. Além disso, fatores como disponibilidade de umidade, relevo e características da rede hidrográfica contribuem para determinar a intensidade e os impactos das precipitações.

Super El Niño aumenta preocupação

Nesse cenário, o El Niño surge como mais um fator capaz de interferir na dinâmica climática da região.

O fenômeno está relacionado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e, historicamente, pode favorecer um aumento das chuvas no Sul do Brasil.

Isso não significa, entretanto, que um Super El Niño seja responsável isoladamente pela formação de ciclones, enchentes ou outros eventos extremos.

O fenômeno atua em conjunto com diferentes condições atmosféricas. Quando essas condições se combinam, podem favorecer períodos mais chuvosos e aumentar a possibilidade de determinados extremos.

Por isso, compreender apenas o comportamento da atmosfera não é suficiente para dimensionar os riscos enfrentados pela população.

Crescimento das cidades amplia riscos

O estudo também chama atenção para a transformação das cidades nas últimas décadas.

Mesmo que determinados eventos climáticos já tenham ocorrido no passado, o território catarinense e sul-brasileiro mudou. Houve crescimento populacional, expansão das áreas urbanizadas e aumento da ocupação de regiões próximas a rios e outros locais vulneráveis.

A impermeabilização provocada por ruas, calçadas, estacionamentos e construções reduz a capacidade de o solo absorver a água das chuvas.

Com isso, grandes volumes de água podem chegar mais rapidamente aos rios e canais, aumentando a possibilidade de alagamentos, enxurradas e inundações em períodos menores.

A expansão urbana também significa que mais pessoas, imóveis, empresas e estruturas públicas podem estar expostos aos fenômenos extremos.

Murara resume essa relação entre natureza e ocupação territorial em uma frase: “O clima produz perigo. A sociedade transforma o perigo em desastre.”

Desastres deixaram 802 mortos no Sul

Os números acumulados entre 1991 e 2025 ajudam a demonstrar a dimensão do problema.

Segundo os dados analisados pelo pesquisador, os desastres registrados na Região Sul deixaram 802 mortos durante o período.

Além disso, aproximadamente 3,5 milhões de pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas, enquanto mais de 15,6 milhões foram diretamente afetadas pelas ocorrências.

O histórico reforça a necessidade de investimentos em prevenção, planejamento urbano, infraestrutura e monitoramento climático.

Passado pode ajudar na preparação para novos extremos

Para Pedro Murara, analisar as últimas décadas não significa afirmar que os próximos eventos terão exatamente as mesmas características dos anteriores.

O levantamento permite identificar padrões e compreender que fenômenos extremos fazem parte da realidade climática do Sul. Ao mesmo tempo, mudanças no território e nas condições climáticas podem fazer com que episódios semelhantes produzam consequências muito diferentes.

Diante da possibilidade de um Super El Niño, o histórico serve como instrumento para avaliar vulnerabilidades e orientar medidas de prevenção.

Em Santa Catarina, onde diferentes regiões convivem historicamente com enchentes, enxurradas, vendavais, ciclones, deslizamentos e estiagens, entender a relação entre clima e ocupação do território será cada vez mais importante para reduzir os impactos dos próximos eventos extremos.

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MARCADO: alerta, chuvas intensas, ciclones, El Niño, santa catarina, vendavais
oanalistaonline 13 de agosto de 2026 13 de agosto de 2026
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